segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Ela disse sim...

Ela acha que consegue
Ele jura que é capaz
Ela nega e busca a realidade
Ele a faz sonhar
Ela diz "não"
Ele diz "sim"
Ela pensa em mudar
Ele já mudou
Até a calça pra provar
Ela quer acreditar
Ele crê na união
Ela clama por silêncio
Ele canta uma canção
Ela chora na solidão
Ele ri na multidão
Ela perdeu algumas vezes o coração
Ele doou a emoção
Ela diz sim...
Ele, não!
Ela se isola
Ele abre a porta
Ela sente amor
Ele ama muito mais a vida com ela
Ela dorme em vão
Ele desperta com intenção
Ela come pra sentir prazer
Prazer pra ele, só comendo... *** ...
Ela anda de ônibus por todos os lugares
Ele vai mesmo é deixando pegadas no chão
Ela dança pra sorrir
Ele sorri com todo o corpo dançando
Ela precisa da leitura
E ele da narração
Ela silêncio
Ele explosão
Ela e o mar
Ele e o céu, luar, a chuva e o que tiver pra conhecer
Eles vivem entre o sim e o não...
As vezes sim...
As vezes infelizmente não!

expectativas...

O problema é que ela sonha...
E sonha que pode
Mudar
Fazer
Desfazer
Concertar...
Ela sonha
Que está Branca
Ou azul
Sonha que sumiu
E sonha
Com a volta
Cor de rosa
E acorda
Aterrorizada
O problema é que ela sonha
Com a felicidade
A lealdade
Com o silêncio das palavras
O problema é que ela acorda
Sem sonho sem nada
Só com a realidade
Escandalosa
Envermelhada
Ela volta a sonhar
Com a amizade
Que na realidade
Já foi embora
Foi pra realidade
Sonha ...
Com vontade
De buscar
A realidade sonhada
O problema é que ela sonha
Com a falsidade
Acabada
Com a preguiça
Controlada
Sonha embriagada
O problema é que ela sonha acordada...

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Levou...

Um pássaro levou minhas palavras
Passou por aqui
Sobrevoou
E levou...
Levou minha palavras
Para outro lugar
Outras cores.
Meio sem querer
As reencontrei
Em outro contexto
No meio de crianças
E bichos
Sobre o sol
Voou com o vento
Acho que pra perto do mar
No primeiro momento do reconhecimento
Pensei que era só um referência
Uma alusão
Até mesmo uma coincidência
De sentimentos
Um preferência mútua literária e musical.
Mas os meus olhos percorriam aquilo que já conheciam
Eram elas...
As mesmas...
As minhas...
Letras, palavras, sentimentos
Que foram levadas por um pássaro
Ainda desconhecido
Um pássaro
Que por causa da vida
Estava escondido
Do meu olhar.
Ele voou por aqui
Leu...
Com um olhar esverdiado
E voou...
Para o branco...
Levando as palavras vermelhas...

Fernanda Matos.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Ausência de cor...

Espetáculo!!!

Sem cor...

Ação!!!

Sem porque...

É assim :

A covardia

A agressão

A ironia

A mentira

O falso prazer...

Vamos agredir!!!!!!
Sem pensar no agredido

Vamos nos esconder!!!!!!!
Sem pensar na covardia

Vamos dar um show!
Armar uma confusão!!!
Sem pensar nas consequências


Pessoas ainda são assim
Utilizam das palavras
Aproveitam a situação
E num passe de mágica
Desbotam as cores da vida em construção

Tem gente que aplaude espetáculos assim...
Tem gente que fica vermelha de raiva
E vaia.

Fernanda Matos.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Determinação

Vontade não faltou de estar aqui
Vontade nunca falta
Vontade de ir
De ficar
Mas vontade só não determina
Então sumi
Daqui
De mim
Fiquei só com a vontade
De estar
De amar
Amor não faltou
Amor não falta
Falta é tempo
Para amar
Tempo daqui
Tempo de lá
Vontade de amar
Vontade de estar aqui
Sem tempo para determinar.

Fernanda Matos.

Ar

É uma mistura...
De cansaço...angústia...
Saudade...preguiça.
Uma vontade de não sentir
Ou de sentir o que deve ser sentido
Essa luta de não sentir e sentir
Me deixa assim
Sentida
Sozinha...
Com sono
Saudade da criatividade
Criatividade empregada em outros lugares
Que lugares?
Lugares de passagem
Tantos lugares
Tantas passagens
Tanto a fazer sem criatividade
Arte
Talvez seja isso
O que tem faltado
Ar
De outros lugares
Um dos meus alunos escreveu que sonhos são como ar
Então, é sonho que está faltando
Porque continuo respirando
Ar
Só ar

Fernanda Matos.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Criticada

Eu ouvi:
Está tudo subentendido!
Não gostei
Mas entendi
É que o meu subentendido
Está explícito em mim
Se é dor...
Subentendida pra você
Explícita em mim
E se é alegria
Explícita em mim
Na cara pra você
E se é medo...
Escondo de você
E deixo subentendido em mim
Coragem...
Explicito pra mim e pra você
Minha amizade...
É explícita
Pra você e pros meus amigos
E também subentendida
Pra quem não quer sentir
O meu amor...
É sim
Subentedido aqui
Explícito em mim
Subentendido pros outros
Vivido com você.

Vermelha.

Passou

Depois de um tempo
Voltei
No mesmo tempo
Aquele
Que não para de passar
E nos dá a sensação
De perda
Ando fazendo assim
Sem tempo
Fazendo aquilo que muitas vezes não quero fazer
Fazendo o que precisa ser feito
Perdendo tempo
Ganhando
Nada direito
Mas fazendo
No tempo
Sem tempo
E essa história toda de tempo
Me fez lembrar de um tempo
Que sempre se espera
Alguma coisa acontecer
A lembrança é de uma sensação
Que em algum momento
Tudo mudará
E tudo mudou
No tempo
Que passou...

Fernanda Matos.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Lixo

Restos de comida no prato
Restos de amores no peito
Olhares enviesados
Lembranças de promessas
Desfeitas
Caminho errado
Certeza do erro
Retratos apagados
Pensamentos desfeitos
Desejos reprimidos
Vontade sem coragem
Lixo
Sabão nos pratos
Restos recolhidos
Novos amores no peito
Olhares direcionados
Promessas cumpridas
Caminho largo
Acertos
Bons pensamentos
Fotografados
Prazeres
Coragem!!!
Ou lixo...

Fernanda Matos.

Não

Não vou
Mesmo tendo que ir
Prefiro ficar aqui
Não adianta andar
Não deu tempo de fazer
Não há tempo
Para concertar
Não vou
Não tenho nada pra falar
Nem justificativas a dar
Não quero ouvir
As cobranças
Não tenho tempo para explicar
Ninguém quer ouvir
O que tenho pra falar
O tempo não dá
E eu
Não vou me arriscar
Não tenho tempo pra tentar
Só coragem de ficar
Aqui
Sem tempo

Vermelha.

Tem

Tem sido assim
Dia por dia
Beijo por beijo
Palavra por palavra
Passos sem pressa
Cabeça erguida
Alegria comedida
Tem sido assim
Convencimento
Constatação
Caminhada...
Tem sido assim
Dias de sol
Noites tranquilas
Sono sem cansaço
Sonhos vividos
Tem sido assim
Conscientemente
Conversado
Entendido
Questionado
Explicado...
Tem sido assim
Racionalizado
Amorosamente
Sensibilizado
Tem
Sido
Assim
Bem cuidado...

Fernanda Matos.

sábado, 30 de agosto de 2008

Garrafa estraçalhada...

Se quebrou...
Ou melhor foi quebrada...
Jogada contra uma estrutura mais forte que ela...
Bem maior
Bem mais fixa
O barulho foi tão grande
Assustador
Se atemorizou
Congelou
Os pedaços
Pequenos
Pequenos demais...
Impossível
A reconstrução.
A vontade que dá
É sempre a mesma
Concertar aquilo
Que se quebrou...
Mas...
A garrafa
O barulho
O amor
As palavras
Quando são estraçalhadas...Não tem mais concerto
A realidade
É aceitar a morte
A maldita morte!
Daquilo que a gente mata...
E a morte é sempre assim
Forte!!!!
De repente ela vêm...
Fuma o último cigarro
Bebe a última cerveja
Dá o último abraço
O último beijo
E não nos conta nada
Estraçalha...
Se a gente pelo menos soubesse
Que seria a última vez...
Poderia demorar mais no abraço
Eternizar o beijo...
Mas a morte
Não avisa
É como uma garrafa
Jogada contra uma estrutura
Fixa!
Malditamente
Estraçalha...
E não dá pra concertar...
Nem a gente
Nem a morte
Nem o amor
Nem a garrafa
Nem a vida
Estraçalhada.

Vermelha.

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Desfilando...

Andando
Torci o pé
Caí
Pensei ...
Caí
Porque estava pensando
Em palavras
De amor
De Homens
Palavras
De trabalho
Pensando
Em palavras cantadas
Escritas
E não lidas...
Caí
E chorei
De dor
Dor de pé
Torcido
De andar
A pé
Na
Rua
Me lembrei das palavras
De um amigo:
Só bate carro, quem os tem
Racionalizei
Só torce os pés, quem os tem
Andantes
No chão...
Desfile:
Andei...
Caí...
Me levantei.


Agora é sério...
Parei de falar de carros...
Mudarei de símbolo capitalista, rsrsrs


Vermelha.

Pausa...Ou Continuação...

Ando assim...
A pé...
Pensando em Maria José
Mais em Maria
Do que em José
Porque José é previsível...
Ele, é daqueles que tenta justificar...
Maria não
Maria surpreenderá...
Ultrapassará a previsão...
Mulher homem...
Homem mulher...
José, tentou justificar a matemática
Aquele... problema de "2 carros na garagem
Pra 1 pessoa na casa"
Ah, José!
O caso da matemática
Não é de utilidade
E sim de sensibilidade...
Se você pode explicar 2 carros
Pra 1 pessoa
Então me explique
A conta dos abraços...
Quanto vale cada abraço?
Quanto vale um abraço de amigo?
E de prima?
E abraço de neto?
Abraços de filhos tem preço, José?
Ahh, você se esqueceu do valor de um abraço?
Ocultou a sensibilidade?
Acho mesmo que sabe é o valor dos carros importados
Baratos...
Só Maria poderia responder
Quanto vale um abraço...
Mas ela se calou...
Deixou José justificar...
O materialismo
Enquanto eu continuarei
A cutucar...
Os sentimentos
Sou vermelha Maria
Porque essa terra aqui é quente o ano todo
E estou aqui pra isso...
Esquentar...
Ou melhor
O intuito é contar...
Histórias
De abraços
Não de carros
Baratos
Sim para os caros abraços...

Escrevi este texto ,Maria...
Porque senti calor nos abraços
De mulheres que me lembraram você...
Mulheres que você pode chamar de irmãs.

Fernanda Matos.

Saber...

É assim...
Meio sem saber
Sem entender
Porque quando ela para pra pensar
Logo pensa
No que pode não dar
Então ela não pensa
Vai assim
Sem saber de nada
Meio sem entender
Sem pensar
Vai sentindo
Alegria
E prazer
Meio sem saber
Ela consegue entender
Que sentimento
Não se determina
Vai vivendo assim
Sentindo
Sem entender
Sem pensar
Pra não se perder
No saber.
Pra saber...
Que precisa acreditar
No viver
E
Sentir
A alegria
De não saber...
Só viver.

Vermelha.

Silicone...

Nunca foram parecidas...
Nasceram assim
Uma tia
A outra sobrinha
Foram crianças juntas
Adolescentes...
Separadíssimas
Quando mulheres
Se encontraram
Nas festas
Nas bebidas
Ficaram amigas
Pouco distintas...
Com distintas diferenças...
Conversaram
E gargalharam
Depois das brigas
Contínuas
Afinal
Nasceram tia e sobrinha
Uma pobre
A outra rica
Se encontram na família
Ela é administração...
A outra... educação
Enquanto uma
Cuida da juba descontrolada
Como suas palavras
A outra resolveu se tornar siliconada...


Fica mais fácil agir assim...
Em casos de cirurgia...

Fernanda Matos.

Na floresta

Um dia, ela foi pra lá...
Não me lembro o que ela pensava,
Nem como teve tanta coragem de deixar tudo
Talvez porque já sabia
Que nada tinha...
Ou sabia,
Que o que tinha, dava pra levar...
Ela tinha
Alguns amigos...
Alguma família...
Coração vazio...
Alguma esperança
Podia ir...andar
Não tinha carros baratos na garagem
Nem dinheiro...
Nem sonhos, mais naquele lugar
Sonhava só em...
Mudar
Foi pra floresta...
Lá, voltou a sonhar ...
Ela não entendia o lugar
O lugar não entendia ela lá...
A história era que ela era assim...
Se dizia "uma cigana"
Pra não falar que era vermelha
E sensações ainda mais estranhas provocar
Andante...
Não tinha mala para carregar...
Estava...lá
Leve
Longe
Carregava uma dor inexplicável
Uma perda
Que nem podia falar
Queria se achar...
Na floresta...
Ela contou pros outros aqui, como era o lugar
Falou do tom de verde
Da cor dos pássaros
Do encanto da noite
E do calor dos dias
Omitiu o frio interior...
As mudanças no humor
E o desespero de tentar e tentar
Sem parar...
Omitiu o medo de desistir
E a certeza que tinha que ir...
Nunca conseguiu explicar porque foi pra lá...
Nunca explicará...
Um dia ela voltou...
Não me lembro o que ela pensou
Não sei como ela teve tanta coragem de voltar
E deixar tudo lá...
Talvez porque já sabia
Que não tinha nada
Ou sabia
Que o que tinha dava pra levar
Ela tinha...
Verdadeiros amigos
Amores vividos
E a sensação
De na floresta ter vivido
Ela voltou pra cá...

Ehh...
Ela viveu por lá...
Agora vive por cá...
Grandes voltas que ela dá.

Fernanda Matos.

sábado, 23 de agosto de 2008

Fogueira...


O lugar...

Esquentou.

As pessoas

Quentes...

Os corações

Alguns...

Ainda quentes...

Outros esquentando

Outros

Tentando...

Mas estavam lá

No olhar

Quente.

Dançando a música

Quente

Os corpos

No ritmo

Quente.

Os abraços...

Quentes!

As sensações...

Ao redor

Dela...

Uma fogueira

Esquentando...

A vida.

E nós

Intensificando

O fogo

Em uma noite...

Vermelha

E

Quente.






Foi assim:
Um ritual de passagem...

O fogo
Os simbolismos
As almas
Os corpos
Os sons
As danças
Os olhares
As voltas
Os abraços...
O tempo...
E as bebidas energéticas.

Uma noite com fogueira...
Vermelha.








quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Matemática...

Eu
Definitivamente
Odeio matemática
Por isso estou aqui
E não na NASA
Por isso dou voltas...
Muitas
E não contabilizo o percurso caminhado
Por isso volto atrás
Em vez de seguir a linha reta
Idealizada
Por isso também
Começo de novo
O difícil
Recomeço
Não consigo entender a lógica
Dos 2 carros na garagem
Pra 1 pessoa na casa
Será que Maria José entende dessa matemática?
Ela trocou abraços
Por 2 carros...importados...
Eu não tive dinheiro para comprar a lente
Da verdade... matemática...
Perdi
A visão
Me lembro dos sentimentos
E esqueço das faturas do cartão...
Que usei no samba
Pra dançar como uma boneca...
Porque dei uma volta no salão
E me perdi de novo...
Na matemática...
O que vale mais?
Mentiras ou verdades?
Carros ou abraços?
Perdi a conta...
Dos amigos
Dos erros
E das voltas
Perdi a conta das lágrimas...
Dos porres
E das despedidas
O nome ficou sujo...
A amizade limpa...
E mesmo assim
Não entendo a matemática...
Na contagem do tempo
Me perdi...
Faz muito tempo
Só sei que continuo fazendo aniversário...

Fernanda Matos.





sábado, 16 de agosto de 2008

Máquina...

De todas as tecnologias...
Ditas "demais"
Aquela que sempre gostou mais...
É a máquina de lavar roupas...
Ela sempre achou doloroso esse processo a mão...
Lavar a roupa do que passou...
Do dia vivido
Das sensações sentidas...
Aquela coisa de esfregar...
Enxaguar
Esfregar...
Torcer...
Esperar secar...
Nossa!!
Ela nunca gostou disso...
Mas aí inventaram a tal da máquina de lavar roupas...
E ela gostaria de ser a inventora dessa "tecnologia moderna"
A sua máquina...
Lavaria ...
As manchas da vida dos amigos...
Lavagem à seco...
Para os gatos escaldados...
E banho de água fria...
Para os disfarçados...
Deixaria as cores...
Não desbotaria...
Lavaria o vómito...
Da ressaca moral...
Secaria as lágrimas...
Deixaria o amor vivido...
Branco...
E não encardido...
Pelos anos passados...
E tristezas vividas...
Lavaria a alma!!!...dela e dos outros...
Perfumaria o corpo e a vida de quem vestisse...
As roupas e almas lavadas pela sua máquina de lavar...
Ela adora essa invenção...
Facilita o doloroso e cansativo processo da lavagem de roupa suja da vida...
Se não tivesse sido inventada...
Ela inventaria...
A máquina de lavar roupa suja ...da vida
A máquina de lavar a alma...
Turbo, Super Potente
Mega Vermelha...
Com som acoplado...e
Juba de Leão.


Vermelha.

Loucura...

Um dia ela desejou...
Um amor tão forte...
Tão verdadeiro...
A ponto de entendê-la...
Mal sabia ela...
Do impossível...
Que nada se entende no amor
E ela ... gostava mesmo é de entender...
A coerência...na incoerência da vida dela...
E das pessoas...no amor
E ele veio incoerente...
Amor Grande...
Precipitado... apressado...
E a culpa era dela...
Culpa...
De querer viver...
O impossível...
De não falar, só pensar...de querer entender
E sem querer ela continuou desejando...
Sem querer ela continou sentindo...
E amor vindo...
Começou a dar voltas...
No pensamento...
Na vida...
Nas ações...
Nas entranhas...
Uma luta...
Travada com a vida...
Na qual ela sempre perdia...
Continua perdendo...
Ela não quer mais lutar...
Ela quer o impossível...
Ela quer parar...
Deixar as coisas como está...
Ela quer o impossível...
Porque pra amar...
É preciso se deixar...
E ela não consegue...
O impossível...
Nem deixar...
Nem parar...
Nem voltar...
Ela só consegue sentir...
O impossível...
Só consegue ainda amar...
Sem fazer...
Nada...
Consegue ainda desejar...
Ser duas...
Uma, amor...
A outra, realidade...
Loucura.

Fernanda Matos.

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

A - gosto...

É perigoso sim ...
Porque é selvagem...
É voraz...
Porque a fome é grande...
Insaciável
É rápido
Na caça...
Não teme ...
Se disfarça...e
Ataca...
Vive em bando...
Porque têm amigos...
Se esconde para sobreviver...
Não dorme...
Apaga...
Sente prazer
No sol e na água...
É livre...
Porque tem coragem...
Se rebela...
Porque só sabe viver em liberdade...
Chora...
Quando está machucado...
E grita para defender...
Sua cria...
Mata...
Para viver...
E vive...
Com audácia...
É amado...
E odiado...
No amor...
Admirado...e renegado...
Na dor...
Tem como característica...
A juba...
Reflexo de uma vida...
Leonina ...

Fernanda Matos

Marca.

Permanentes...
Pra sempre...
Não adianta...
Mexer...
Concertar...
Não cola...
Nem volta...
É assim...
Tá marcado em mim...
Cada palavra...
Na minha fala...
Cada grito no meu ouvido...
Cada lágrima ...
No meu rosto...
O beijo na minha boca...
O braço...
No meu abraço...
Marcada...
Nas músicas...
Nas danças...
Nos sentidos...
Não é tatuagem...
Nem cicatriz...
É marca
Não adianta limpar...
Nem escrever...
E desmanchar...
Nem me desculpar...
Ou se desculpar...
Ficou assim...
Minha vida marcada...
De amor...
Meu olhar
De dor...
Meu ouvido
De retumbantes...
E repetidas palavras...
Meu corpo marcado de cansaço
Meu rosto...
Marcado por lágrimas...

Vermelha.


Pés grandes...

Depois de uma certa idade...
A idade da estabilidade
Os pés dela voltaram a crescer...
Era um sinal...
Que teria que caminhar ainda mais...
Também depois dessa tal de estabilidade...
Os cabelos pararam de crescer...
Era um sinal que precisaria de mais leveza...
Para caminhar...
Um dia depois de uma certa idade...
E de muitas músicas ouvidas...
Ela conheceu
Outros sons...
Sons da instabilidade...
Ela tentou fugir...
Não interpretou os sinais...
Achou que estava segura na estabilidade...de amar
Mas os pés cresceram...
Os cabelos pararam...
E o som gritava...
Tanto...
Que foi se configurando...
Em ser
Sentir
Viver
Outro amor...
Instabilidade...
Então pra não se perder na tal da estabilidade...
E viver ...
Ela fez uma máscara...
Alguns dias da semana...
Ela a colocava...
E se assustava
Assustava a estabilidade
Com a tal da instabilidade...
Assim ela viveu
Por algum tempo...
Os pés crescendo...
O som aumentando...
E cada vez menos ela tirava a máscara...
Da instabilidade...
Mas aí...
Chegou o dia...
Dela viver a fantasia
Esqueceu da idade...
Da estabilidade...
Começou a caminhar
Com os novos pés...ainda instáveis...
Chegou lá...
Sentiu a música no seu corpo...
Perdeu de vez a estabilidade...
Caminhou...
Amou...
Incorporou a máscara...
Sem saber...
Que quando a gente começa a andar...
Não dá mais pra voltar...
Mesmo que a gente não saiba onde vai parar...
Então, ela continuou...
Sem o controle da estabilidade...
Sem limites...
Instável...
Se perdeu...
Quer muito se achar...
Mas não sabe o lugar...
Só sabe que agora tem pés grandes para caminhar
Cabelos curtos para suavizar...
A dor e o amor para se lembrar...
Que precisa...
Achar outro lugar...
Pra amar...

Fernanda Matos

Foi...

Ela entrou no trem...
Deve ter precisado de ajuda...
A gente sempre precisa de ajuda...
O trem começou a andar...
Pela terra
Pelo ar
Pelo tempo...
Deixando pra traz...
A terra...
O ar
O tempo do lugar...
Ela olhou pela janela...
Durante todo tempo...
Nem podia imaginar onde a vida ia parar...
O trem parou...
Ela olhou...
Diferente...
O ar...
O tempo...
A terra...
Pisou...
Andou...
Mudou...o ar...o tempo...
Começou...
Viveu...
Terminou...
Pegou o trem...
Sem ajuda...
Lá não tinha mais ninguém pra ajudar
Depois de muito tempo...
Voltou...
Diferente...
No ar...
No tempo...
Outro lugar...


Vermelha.

Sempre...

Desejo...
Foi...
Eu vim...
Igual?
Não...
Diferente...
Falando?
Não...silêncio...
Amando?
Sempre...
Sofrendo?
Pra sempre...
Sorrindo...chorando
Sambando...
Eu vim...
Verdade?
Realidade...
Encontrei...
Como?
Falando...
Amando...
Sofrendo...
Sorrindo...
Sambando...
Então...
Sambamos...
Sorrimos...
Choramos...
Amamos...
Pra sempre???
Eu fui...
Pra sempre???
...sempre amando...
Eu fui...
Por enquanto...

Vermelha.

Nada...se...

Palavras...
São só palavras...
É no silêncio que fazem sentido...
No silêncio...
Que são sentidas...
No silêncio...
São ouvidas
Escritas
Lidas...
Depois de faladas é que são ententidas...
Sofridas...
Depois de gritadas...
Despertam!
Revoltas...
Palavras...não são nada...
Se não são juntadas...
Palavras não são nada...
Se não ouvidas
Palavras não são nada...
Se não chingadas...
Palavras não são nada
Juntadas...
Palavras...
Nada...
Se não são sentidas
Em silêncio...

Vermelha.

Assim...

Foi assim...
Esquecimento das escolhas...
Entrega...
Sentimento no corpo...
Corpo sentindo...
Foi assim...
Em silêncio...
Parecia um deserto...
Mas era rua...
Parecia madrugada...
Mas o sol brilhava...
Tinha gente...
Pareciam fantasmas...
Tinha olhares...
Pareciam cegos...
O som era dos carros...
Mas parecia orquestra...
O toque era conhecido...
Mas parecia mágico...
Eu tentei...
Abrir os olhos...
Mas estavam abertos...
Depois achei que era sonho...
Estava acordada...
Podia ser lucidez...
Mas estava embriagada...
Bêbada...de sensações
Já sentidas...
Foi assim...
Uma mão...
Um abraço...
Beijo...
Passos...
Um horário...
No tempo...

Vermelha.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Chão...

Proibida de escrever...
Medo de transgredir...
Impossível não fazer...
Ele ligou...
Pra falar que não ligará...
Ligou pra falar...que não falará
Gritou o silêncio...
Voz grave...
Pra falar da gravidade de amar...
Força da gravidade...
Que tira o amor do ar...
Chão...
Realidade...
Sem voz...
Sem gravidade...
Sem ar...
Silêncio...
Ficará tudo assim...
No chão...
Como minhas lágrimas... Depois que ele desligou...
Depois que ele parou de falar...
Depois que o amor caiu...
Do ar...
Despencou...
Na minha frente...
Eu não consegui segurar...
Força menor...
Que a da gravidade de amar...
Menos força...
Mais gravidade...
Chão...
Para caminhar...
Realidade...
De amar...
Em silêncio...
No chão...
Pra não despencar...
De novo...














Vermelha.




O grito em mim...

...Eu a conheci...
No tempo que me disfarçava de boneca...
No colo deles...
Homens e mulheres...
A história dela... É incomum de tão comum que é...
Viveu o mais luxuoso sonho em vida...Falso!
Viveu a mais sórdida e vulgar realidade...Morte!
Na realidade... Não sei se ainda vive...
Sua vida tem tantos personagens...
Tantas versões...
Tantos buracos...
E quedas...
Contradições...
Sei que foi traída pela própria criação...
Sei que jogou com o amor...nas cartas...
Bebeu em restos de taças...
Comprou em sacolas personalizadas...
Tinha baú de riquezas...
Como melhor amigo...
Seu cachorro...
E a necessária companhia...
Do seu cigarro...
Os olhos eram tristes...
Mas a beleza era grande...
Mãos de riqueza...
E atitudes incompreensíveis...
Na pobreza...
Morte misteriosa...
Herança suspeita...
Família em silêncio...
E minha curiosidade...
Por palavras...
Contadas...
Enquanto na contagem do tempo...
Ela morre na memória...
Daqueles que se calam...
Por medo de se entregarem ...
Na história...
Que é dela...
Mas que muitos participaram...
Da fase dos luxuosos sonhos...falsos...
E dos sórdidos momentos de vida vulgar...morte...
Eles se calam...
E matam o que ainda resta dessa mulher...
Tentam esconder...
A fumaça do seu cigarro...


Fernanda Matos

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

A mala

Eu fiquei sabendo da sua existência...
Assim...
Porque tinha que saber...
Ela...é mãe daquela que ele ama...
Então...
No começo...foi assim
Fiquei sabendo dela
Com uma certeza interna ...que um dia ela viria
Se mostrar...
Fez mais que isso...
Cheguei em casa...
E encontrei uma mala...
Me falaram que a mala era dela...
E iria ficar lá
Porque ela não conseguia carregar... todo dia...
Ela passava em minha casa...Pegava a mala...
Depois guardava...
Eu entendi
Que era pesado o que carregava...
Era precioso...
Os dias se passavam...
Ela parou de vir...
Eu então, sedenta de novas palavras...
Abri a mala...
Pesada...que não era minha...era dela...
Descobri...
Ela carregava esperança...
Por isso era tão pesada...
Esperança de muitos anos de sono...
Esperança daquilo que deixou de ser vivido...
Esperança de viver o que ainda pode ser vivido...
Muito pesada a mala...muita esperança...Liguei pra ela...
Menti...
Era uma isca...
Então ela voltou a vir...
Abriu a mala...
Me contou do sono...durante anos...
Falou da grande vontade de acordar...
Falou com raça...
Da raça mulher...
Me deu um pouco de esperança...que estava na mala...
Passou a mão nos meus cabelos...
Prometeu voltar...
Eu...
Estou esperando...
A mala...
A esperança...
A mulher que acordou...
Na raça...
Passou a mão nos meus cabelos...
Com esperança de mudar...

Fernanda Matos

Aceito!

CONVITE:
Pra dançar?
Aceito...se for samba
Balé, nem pensar...
Pra viajar??
Sim!!! Aceito...
Se for pro mar...
E comprar?
Tudo bem...
Tenho dinheiro...
Pra uma flor de chita...
E um cigarro também.
Pra beber??
Aceito... meu amigo tequila
Água e
Coca Cola.
E pra comer?
Não...
Já comi demais...
Estou enjoada.
E pra sentir?Aceita?
Sim...
Aceito sentir calor...
E música também...
Aceita brigar?
Aceito...
Brigarei pela e com a consciência...
E fazer as pazes? Aceita?
Sim...ficar em paz com o tempo.
Convite pra conversar??
Aceito!Sim...
Se tiver verdade...
E pra ficar em silêncio?
Aceito... o silêncio do livro...
E do sono também.
Pra errar?
Sim...Sim...
Novos erros...
Pra amar???
Amor de homem?
Não... cansada...
Quero descansar.
Amor de mulher então ?
Sim , aceito...
Só se for de mãe...
Aceita voltar?
Voltar?
Aceito, sim...voltar pro colo do meu pai.
Aceita rezar?
Sim...
Se Deus ajudar...
Aceita morrer?
Aceito...
Só pra abraçar meu Tio Danilo que tá do lado de lá.
E nascer??
Sim! Sim! Eu aceito...
Pra abraçar todo mundo que tá do lado de cá.
Convite pra chorar??
Aceito...sim
Só pra rir depois.
E pra festa? Aceita?
Aceito...
Se os meus amigos tiverem coragem...
Aceita se doar?
Aceito...sim
Doarei o que tenho...
Palavras...
E convite pra beijar?
Não sei...sim, aceito
Se for beijo de língua...
Lambidas da minha cachorra Antunina.
Então vamos brincar?
Vamos...
Brincar na sala de aula...
Com a educação.
Aceita colorir?
Claro...sim
Colorir minha amiga...
Que perdeu as cores um dia...
Aceita sorrir?
Sim, Sim...
Para as crianças...
E sofrer???
Aceito sofrer de prazer.
Aceita enlouquecer?
Chegou tarde...já tá acontecendo...
E a sanidade?
Continua em mim...na responsabilidade do trabalho.
Aceita se indignar?
Já faço isso...todo dia comigo.
E descansar?
Preciso...sim... na confiança...
Na cama.

O irmão dela convidou a irmã dele...
Para observar...analisar...
Aceita??
Sim!
Estou aqui...
Pode começar...

Fernanda Matos

domingo, 10 de agosto de 2008

Monstruosidade...

Ahh...
Ela é monstro...
Um monstro de beleza...
Uma beleza de amizade...
Quem a viu...
Se espantou...
Hoje, se espantam é com a alegria...
Porque comum é a tristeza...
E ela estava monstruosamente feliz e bela...
O dia era dela
A noite era dela
A vida era dela
E a beleza...
Estava só nela...
Foi uma monstruosidade...
Quem não a viu...
Optaram pela comum tristeza
Cometeram um erro monstruoso...
Repetição...de erros...
E as justificativas...
Mais repetidas ainda...
Ela... dividiu beleza...
Alegria...
Vida...
Acertos...
Optaram pela repetição
dos mesmos...
erros...
monstruosos...
monstruosas justificativas...
Eu a vi...
Foi tanta beleza...
Um monstro de vida...
Alegria...
Não aguentei...
Me embriaguei...
Vomitei...meu corpo estava ainda fraco pelas tristezas vividas.
A beleza...a alegria e a monstruosidade
Da vida...necessitam de estômago...
Os meus amigos não têm mais isso...
Nem estômago...nem coragem...pra viver...
E vomitar...
Optaram pela tristeza dos mesmos erros...
Não quiseram ver a beleza...da amizade...
Não aceitaram o convite...da alegria...
Da bela mulher...
Que como Maria José...
Carrega no nome a sabedoria de ser também Maria...
Eles...aqueles sem estômago pra alegria...
Optaram pela feiura...dos mesmos erros...
Cometeram uma monstruosidade...com ela...
Comigo...
Com eles...
Ela amanheceu...
Um monstro de beleza...
Beleza de amizade...
Mais verdade...menos amigos...
Eu...
Amanheci...
Com dor no estômago por isso...

Fernanda Matos

sábado, 9 de agosto de 2008

Tá errado...

Pra ela...

Tá tudo errado...
Tudo certo...
Chega uma hora que não tem mais erros...
Nem acertos...
Só repetições do mesmos...
Erros
Acertos
Mudam-se as justificativas...
As vezes nem isso...
Fica tudo repetido...
Porque está repetido em nós...
Bordas
Centro.
E a gente nessa forma elíptica
Que parece se movimentar...
Mentira...
No sentimento...
Que também não muda...
A solução...
Enlouquecer...
Já está louca...
Fugir...
Já é foragida...
Um herói...
Não existe...
Uma saída...
Parar!!!
De errar...acertar...
Parar tudo...
Tempo...
Parar de sentir...pelo menos fingir...
Parar de rodar...
Parar...

Ela...
é a fêmea...mãe...mulher...homem...


Vermelha.

Talvez...

É...
Talvez mais branca...
Menos vermelha...
Menos caracóis na cabeça...
Mas...
A mesma cabeça.
A questão aqui não é de mudança...
Mas de constatação...
De que a paz...branca...
Chega...
Precisa...chegar...
Os caracóis na cabeça...
Precisam se alisar...
Para se enroscar de novo...
O tempo precisa e vai passar...
Já sangrei demais
Estava vermelha demais...
A hemorragia precisava ser estancada...
Estava morrendo...viva
Agora vou viver tempo de paz... branca...
Quem quiser pode esperar...
Até o dia
Que o sol
Envermelhará
Os caracóis se enroscarão...
Na mesma cabeça...
Em paz.

Fernanda Matos

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Vendedor de maçãs...




Era um menino, nascido lá no interior , naquelas cidades tão comuns no nosso imaginário, uma rua que dava na praça da igreja, uma casa com quintal...Foi o segundo a nascer de uma família de quatro filhos, pai comerciante no centro da cidade e mãe professora, daquelas grandes, bravas e cheia de afilhados que ela mesmo alfabetizou, assim como ensinou a ler e escrever seus filhos também.
Tinha avô, tinha avó, primos, tios e tias. Ele, o menino, depois de conhecer a escola, a mãe professora, ter a irmã mais velha como companheira de sala de aula e de brincadeiras...
Começou a ler... ler muito...
Segundo a irmã, lia tudo, eram toneladas de revistas em quadrinhos, adorava quebra cabeça. Podia jogar bola empinar pipa, mas esse menino teve vontade de vender revistas pela cidade...Claro que ele lia todas antes de vendê-las, estas chegavam de outro lugar, e assim esse menino vivia... Chegava da escola, colocava as revistas na cabeça e saia pela cidade, vendendo, lendo, brincando...Começou a diversificar o seu comércio...
Maçãs... o menino vendia maçãs também...
Não sei de onde ele tirou essa idéia, não sei onde ele arrumava as maçãs, mas ele saia pela cidade e vendia, maçãs e revistas...
Além de desenhar, pintar colorir, sentia o vento na cara andando na sua bicicleta, refletia jogando xadrez e sonhava sabe-se lá com o que...
O menino foi crescendo, lendo, vendendo, brincando, estudando, pintando, colorindo sua vida, a vida dos outros, a vida da cidade, a vida de quem comprava suas revistas e maçãs...
O tempo foi passando...
O menino se tornou um rapaz, mudou de cidade foi estudar na capital, dos desenhos passou para pintura...
De telas e vendia, a família comprava, hoje na casa das tias, tem quadros desse menino.
Um dia pintou um muro de uma escola infantil... e com o pagamento comprou uma coleção encadernada de clássicos da literatura...
Quando o conheci...ele ainda pintava...
Me lembro do cheiro das tintas, das pinceladas,das cores...
Nessa época ele já era tio de uma menina e que tio que ela tinha...
Daqueles carinhosos, orgulhoso dela ter nascido, orgulhoso de ser tio dela.
De repente já era um funcionário de uma instituição... a mãe tinha acendido velas no dia do concurso, a sobrinha se lembra disso...
A mãe acende velas até hoje para os filhos...
O menino rapaz fez sua primeira faculdade, trabalhava, namorava, lia os clássicos literários comprados com o dinheiro da pintura do muro da escola infantil, era tio dos sobrinhos, irmão dos irmãos, filho dos pais, era um primo, um amigo...
Parece que não tinha preconceitos...
As namoradas eram diferentes... nos dias de hoje poderia se falar em diversidade nas relações... Eram loiras, morenas, certinhas e doidas...
Mas um dia conheceu a mãe de suas filhas...a tia da sua sobrinha...
Ele o menino homem conheceu a mulher que o acompanhou por todas as cidades onde ele morou porque esse menino viajou, conheceu lugares, fez parte deles...
Um dia o menino homem voltou para a capital, trouxe as filhas... suas pinturas mais lindas... a mulher sua inspiração...Mas ele estava cansado...
Das cidades, dos caminhos...
Acho mesmo que ele estava com saudades de vender revistas e maçãs...
lá naquela cidade no interior... Então o menino pensou...
Como vender maçãs e sobreviver?
Mas ele era esperto, criativo, afinal tinha jogado xadrez na infância, pintado quadros, lido revistas em quadrinhos e clássicos literários...
Teve uma idéia, ou melhor, resolveu mudar de caminho, pintar um quadro novo na sua vida mesmo sabendo que muitos iriam questioná-lo...
O menino resolveu ser educador... deixou o caminho antigo e resolveu pintar outros muros... Hoje, o menino voltou a vender maçãs...
Fernanda Matos


Chitão


É um tecido...

Pobre...

Colorido...

Forte...

Barato...

Quando é saia...dança

Quando é lençol...ama

Pode ser turbante...
Nos cabelos brasileiros...

Ele é feminino e masculino...

Como Maria José

Chitão...Chita

Flor de chita... seria o meu nome...
Se o dele fosse Chitão...

Tem sido meu único desejo de consumo

Nos últimos tempos...

Uma flor de chita...

Em meus cabelos brasileiros...

Ser uma flor de chita...

Pobre...

Colorida...

Forte...

Representativa...

Amando e dançando nos meus cabelos...
Fernanda Matos

Zumbido...

Dizem que os loucos...
De verdade...
Sentem um zumbido no ouvido.
Eu falo dos loucos mesmo...
Aqueles que conseguem viver em outro mundo
Enxergam o que ninguém pode ver
Tentam sair voando pela janela
Morrem...nascem...quando querem
Sentem...e
Esquecem...
Fazem sexo com o travesseiro...
Criam bonecas...como filhos...
Não reconhecem os pais...
Não vêem os mendigos na rua...
Não sabem que crianças negras se prostituem
Não precisam da cachaça...
Esqueceram da sensação...
De desamor...
De amor...
Os loucos...
De verdade...
Eu já sinto...
as vezes...
Um zumbido...
No ouvido...

Vermelha.

Despreparada...

Ela não sabe...
Nasceu sem saber
Viveu sem saber...
Tentou...
Várias vezes...
Tenta até hoje...
Mas
Não sabe
Impotente...
Coitada...
Não sabe
Do outro
E por isso não sabe dela...
Ahh...
Ela então escreve...
Tudo errado...
E sonha com suas palavras
As transforma em vida
Matéria
Mentira
Se engana
É uma tortura...
E vive
Despreparada
Não sabe de nada...

Vermelha

Brisa...

Dizem que ela é forte...
E ela é...
Aguenta
Reage...
Ao furacão...
A ventania...
Tempestade...
Maremoto...
Terremoto...
Mas...
O problema
É a brisa...
Aquilo que é direcionado...
É sentido no ponto...
O problema
É a gota d'água ...
Que insiste em pingar...
Aquilo que faz transbordar...
Isso a derruba...
É a sua vulnerabilidade...
Ela cai...
Se perde...
Desmorona...
Esvazia...
Por que ela...
Como as outras...
Maria José
Cor de Rosa
Vermelha
Colorida
Cor de Mel
Acredita...
Naquilo que não se planeja...
Acredita naquilo que simplesmente se vive...

Fernanda Matos

Nos limites da dignidade...

Ela amou...
Como homem e mulher que é.
Mas Maria José é diferente...
Amou diferente...
Planejou aquilo que não se planeja...
Projetou no futuro...
Aquilo que muda...se transforma.
Incontrolável...por ser...
Junção do que se vê
E do invisível...sentido
No começo...
Era carne...olhos...boca e beijos.
Forte... como uma boca que grita...
Como uma boca vermelha...
Acontecia... no lugar que se escondia...
Tinha vergonha de mostrar...
O amor
No começo...
Era atrás da casa...
Pra lá da cerca... moral
No relento da vida...
Atrás dos olhares, que se acham capazes de julgar sentimentos...
No começo...
Não se entende...
Nem tem nome...
É a força daquilo que move a boca...
O corpo...
O sangue...
Ela sentiu...
E achou que podia controlar essa força...
Achou que podia calar a boca...
Esconder os beijos...
Então Maria planejou... Estudou... Livros e homens...
Abraços e beijos Se formou...Professora! Das letras e da vida
Ele, josé... Tabalhou...trabalhou...outras mulheres...outros lugares...
Outras bebidas
Um dia lembraram das palavras ditas nos beijos atrás da cerca moral...
E começaram a botar em prática os planos da Maria...social
Planos daquilo que não se planeja...
Já tinha transformado...
Maria sofreu...
Caiu...
Violência...
Resistiu...
Optou pela dignidade...
No momento era isso...
Ou a tortura...
De não aceitar... O desmoronamento previsto...
Daquilo que não se determina...nem planeja...
Apenas se vive...
Enquanto é digno...
Enquanto a boca ainda beija palavras vermelhas...
De amor...


Um dia me libertarei e meu sumiço...será presença... Dentro das pessoas... (Vermelha)

Fernanda Matos



quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Roubo...

Ela leu...
A sensação que tive...
Foi de roubo...
Ela rouba...
A vida...
Cada minuto...
Cada palavra...
Cada gole...
de cerveja...os tragos do cigarro
É assim que ela vive...
Como uma pirata
Roubando a vida...
De quem não quer mais...
Dançando a música
De quem já se cansou
De quem dá mole...
Beijando os beijos...
Dos preconceituosos...
Ela vive assim
E ela é linda assim...
Tem mais vida...
Dos que vivem...
Quando leu...
Roubou minhas palavras...
Ela é insaciável...
Escrevi mais...
Escreverei...mais...
Pra ela roubar...
E viver...
Mais que eu...



Fernanda Matos

É?...

Algumas...
Leituras...
Da vida...
Olhares...sorrisos
Dúvidas...
Interpretações...
Continuidade...
Intenções...
Paralisação...
Preguiça... medo...
Uma tentativa...
Ainda presa...
Nessa vida...
Vontade de nada fazer...
E fazer tudo...
Não fazer nada
Fazendo...
Ir embora e permanecer
Movimento interno...
Incompatível...
Com o cotidiano...
Olhares que não vêem
Fé...
na sensação...
Certeza do erro...
Convivência...
com o espelho...
que não reflete...
o que quero ser...
e ainda não consigo...
É...
isso...

A próxima história de Maria José...será de amor...


Fernanda Matos

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Arcos quadrados...

Fui levada por curiosidade...
Por um amor...
Gosto...
O lugar tinha arcos quadrados...
Me lembrou arcos da Lapa
Mas era mineiro
Na rua
Gente
Música
Brancos...negros
Negros...brancos
Negrosbrancos...brancosnegros
Debaixo do viaduto mineiro...
Música e gente...
Mineira...
Quebrando a caretice...
Fazendo do "quadrado"... arcos...
Dando a volta na música
Nas cores...
E na gente...
Mineira...


Uma manifestação cultural, todas as sextas...Debaixo do viaduto Santa Teresa...

Fernanda Matos

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Eu queria...


Ser música...

Invisível...

Mas presente...

A maior de todas as presenças...

A presença interior...

A música ouvida...

Dançada...

Se eu fosse música...

Eu dançaria todas as noites...

Sempre tem alguém dançando...

Eu também me alegraria...

Choraria...

Perderia e ganharia amores todos os dias...

Estaria nas crianças...

Nos adultos...

Nos velhos...

Nos fetos...

Nos vivos...

Nos mortos...

Embalaria noites de amor...

Olhares desejosos...

Corpos frenéticos...

Ah... estaria na mémoria...

Da carne ...

Do pensamento...

Estaria no mais vazio palácio...

E no mais cheio dos barracos...

Na rua...

No sol...

No mar...

Eu estaria no tempo...da lua

Não precisaria explicar...

Seria a própria explicação...

Justificaria...

Não faria escolhas...

Seria escolhida...

E participaria da vida...

Eu seria o grito dos escravos...

Dormiria com Chico Buarque...

Teria milhões de amigos...

Lembrada por ser boa...

E esquecida por ser triste...

Mas eu estaria presente...

Seria homem e mulher...

Se eu fosse música eu visitaria Maria José...

Mas não sou...
Fernanda Matos


terça-feira, 29 de julho de 2008

Hoje é dia de novo...

É que ficou incompleto...
Ele é listrado...
Simétrico
Eu sou elíptica
Centro e bordas...
Ele é retilíneo
E nós somos feitos da mesma mistura improvável daquilo que não se mistura
E se misturou...em nós
Eu o conheço...
Ele nasceu listrado
Eu vermelha
Ele anda em linha reta
E eu vivo em círculos
Ele me conhece
Idas e vindas...centro e bordas
Ele caminha sempre em frente...
Linha reta...
Vai!...
Eu ficarei dando voltas...vermelhas
Esperando...
Quando ele se for... com suas listras... linhas... retas...

Fernanda Matos

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Hoje é dia ...


Ele sabe porque eu calço uma bota...

Não é à toa que isso acontece...

Na verdade não é à toa que nada acontece...

Mas ele sabe quando eu calço uma bota...

Ele sabe quando eu desfilo...

Ou quando eu amo...

Ele me conhece...

Se ele gosta do que conhece...

Hoje menos que ontem...

Eu também...

Mas ele sabe...

Tudo??

Não...

Muito...

Sim ...

Tudo ninguém sabe...

Nem vai saber...

Nem eu...

Mas ele

Ahh ele sabe quando eu calço uma bota...

Sabe onde eu vou pisar...

E sabe que deixarei marcas...
Boas ou ruins depende do chão que piso e pisarei...

Sempre que calço botas...

Eu piso...e deixo marcas...

Ele sabe...
Ele é simétrico...listrado.


(Maria josé está me confundido...acho que ela está cansada...
Longe da pátria...longe do amor...
Espero que seja o próximo post...)
Fernanda Matos

sábado, 26 de julho de 2008

Eu sabia que ele era tequila...

José Cuervo...
É o meu amigo tequila...
Chega a uma certa altura da embriagues...
Que todos começam a criticar...
Ninguém quer mais a sua companhia...
Você vira piada...
Ninguém se pergunta...porque chegamos até ali... na vida
Naquela altura do porre... da vida
Ninguém nos pergunta de onde tiramos tanta força...
Para continuar...
Ele permanece lá...
O porre acaba ficando chato...a vida também...
Pros outros
Ele não me critica...
E quando eu sumo e volto...
Ele não reclama...
Está ali... pra mim...na vida
Aguns podem até achar que ele é desnecessário...
Mas necessito dele...
Meu amigo José Cuervo...
Coitados dos que acham que tequila derruba...
O meu amigo me levanta...
Tem gente que não vê...
A amizade fundamental entre uma mulher e José Cuervo...
Meu amigo...
Eu sabia que ele era tequila...
Eu sentia...


Fernanda Matos

O desfile foi um fracasso...

Entrar na avenida não é fácil...
Eu sei...
O medo é estonteante...
Nos engana ...e faz seguir...
Aí desfilamos...
E o olhar do outro não é agradável...
Ele...o outro quer se enxergar no desfile...
Aí não se enxerga...
Vira fracasso...
Pra quem desfila?
Pra quem olha?
A preparação é intensa...
Coração...nervos ...pernas...pele...mãos...
Sentimentos e personagens...
Ahh...os personagens...
As vezes agradam... as vezes não...
Os personagens sofrem...tem sentimentos ...
Coração...histórias...
Eles acreditam existir...
Por isso desfilam...
Em mim...
Em vocês...
Aqui...

...o desfile foi um fracasso...menos pra Maria José...


Vermelha.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Hora de desfilar...


Sempre chega a hora de entrar na avenida...
Não posso mais evitar...
Ela quer saber...
Ela me perguntou...
Depois do post "Longe do que sonhei ", Maria José falou:

"Você surgiu agora, tão inesperada, para me comover, inexpressavelmente
eu não sei o que dizer, tamanha a minha perplexidade..."

Eu respondo:
Perplexidade Maria??
Você não sabia que causava sensações nas pessoas que te ouviam?
Ah...Você sabia...
Maria José continuou:

"Onde você estava?
De onde você veio?
Por que você surgiu assim na minha vida agora?
Quando você me viu?
Quantas vezes falamos? O que eu lhe disse?
Como sabe de mim?
São doces as lembranças de vocês ,mas eu não me lembro a época, qual era aquela minha fase de vida, quantas vezes eu fui lá, e quais as nossas conversas.
Não me lembro de convivência nossa, que pudesse lhe fornecer os dados que você me expressou.
Isso me constrange e entristece, nesta altura, desencadeando confusão de ideias, um súbto de sensações contrastantes com o meu jeito nato de ser..."

Ahh... Maria José... mulher e homem...
Vou desfilar pra você...
Quando eu nasci... fui a primeira...primogênita...
Eu era uma criança mulher no meio de adultos e jovens...homens e mulheres...
E você estava lá...
Já tinha se mudado pra cidade grande e voltava pra cidade apertada...para contar suas histórias...
Eu vi as pessoas pararem pra te ouvir...
Eu poderia ter ido brincar...dormir...
Mas é que eu nasci vermelha...
Então eu era aquela criança...no meio dos adultos... aquela boneca...
Eu estava sempre no colo de alguém...os adultos ainda acham que crianças são bonecos...
Mas eu era uma criança acostumada com o mundo "adulto"...eu tinha nascido entre eles...eu já conhecia...as vozes...os tons...
Foi assim que eu te conheci Maria...
Foi te escutando...disfarçada de boneca...
Conheci você também por meio dos seus filhos...
Ahh... os seus filhos...a sua multiplicação...
Dois jovens de pele marrom e olhos amarelos... dois felinos encantadores...
Ah...os seus filhos entravam e saiam da minha casa nos dias de festas...
As moças ficavam enlouquecidas com o seu filho felino macho...encantadas com a pele marrom e os olhos amarelos...
Mas quem sentava no colo dele era eu...porque eu era a criança...eu era a boneca
Mal sabia ele que eu já sabia o que já provocava naquelas mulheres...
Vi a sua filha felino fêmea como se via um camaleão...me pergunto até hoje:
Quantos cabelos ela já teve ornamentando aquela pele marrom?
Quantos homens a amaram Maria?
Eu fui em um dos seus casamentos e tive a oportunidade de vê-la entrar na igreja como uma deusa hip...
Eu vi suas lágrimas e inquietude ao lado do homem que contribuiu para a fecundação desse par de felinos...
Eu caminhei do seu lado esse dia Maria...ouvi suas palavras...
Eu já chorei com seu filho pela morte do meu tio...amigo dele Maria
Ele me arrumou um emprego e eu aprendi que existem almas atrás das roupas...
Eu sempre te vi chegar de carro no meio da árvores...
Mas eu nunca te vi comer ...nem beber...
Eu só te vi falar... eu só te ouvi falar...
Desde a época que eu era uma criança disfarçada de boneca no colo das pessoas adultas...
Eu Maria José...
Sou a mistura improvável daquilo que não se mistura...
Quando criança...me disfarçava de boneca...
Agora adulta...
Não tenho como me disfarçar...
Por isso estou aqui...

Continua no próximo post...
Fernanda Matos

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Ela não foi pra Bonfim...

Foi um certo ultraje...
Mas a verdade é que ela não foi pra Bonfim...
Ela é assim "ausente" "presente"
Pra mim foi um presente... desses que nem precisamos e mesmo assim ganhamos e se torna essencial...
Eu, já achava que já tava bom...suficiente...não precisava...
Porque sempre fui assim...tem coisas pra mim que são desnecessárias!!!
Pra que tanta conversa...desnecessário esse tom, desnecessário ter ido...
Ahh... os erros
Ainda bem que eles existem e que nós os cometemos...
Eu cometi, a conheci e pensei...Desnecessário!...
Afinal eu já tinha tantos e tão importantes e diferentes e sufucientes...já tinha até os desnecessários...
Já os tinha de todas as cores e raças e tamanhos e gêneros e pesos e idades e cabeças e rítmos...
Mas não adiantou...
Eu a conheci...
Conheci a cor, a raça, a história,o gênero e o gênio, o samba, as palavras, os cigarros, o amor, as lágrimas e as gargalhadas, os palavrões, as frases... os posts...
Eu a conheci e foi inevitável...
Ela é daquelas que faz parte de outro tipo de cores...
Ela é cor de Mel...
É mais real... dá pra pegar, sentir... discutir, e até degustar
E eu burra...tão burra de tão vermelha...
Pude achar que mel não é necessário...
Imaginem uma vida sem mel...
Imaginem escrever sem essa palavra que tem tantos significados...
Mas a verdade é que ela não foi pra Bonfim...
E Bonfim que é tão linda... ficou sem mel...
Isso é um Ultraje com a cidade!

AH! Maria josé não tem fim...
Foi só um parênteses e outros virão...

VERMELHA.

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Longe do que Sonhei...

Ela é uma mulher... um homem também.
Sempre foi assim, nasceu homem e mulher e o seu nome prova - MARIA JOSÉ
Homem e mulher...
Maria amou, viveu, pariu...
José,brigou,comeu,criou os filhos que Maria pariu...
Ela tem infinitas histórias, viveu e viverá infinitamente nas pessoas que a viram um dia e que ouviram suas narrações FANTÁSTICAS, porque Maria e suas palavras não têm fim...
Quando ela chegava, todos já sabiam... o mundo parava para escutá-la...
Ninguém conseguia fazer mais nada...
Ela(eles) Maria José, tinham esse poder...parar o mundo com suas palavras...
E o mundo é pequeno para Maria José... a sua cidade natal foi ficando insuportavelmente apertada , parecia uma miniatura diante de tantas histórias, entonações e rítmos.
Acho que Maria pensou...e trocou sua cidade natal pelas palavras ...pelas histórias que ainda ia contar e naquela cidade Maria José já tinha contado todas as histórias...
Então ela se foi... deixou família...amigos, beijos...
E foi atrás de sonhos ou palavras ...
Maria é pequena...
José é grande...
Então ela se mudou pra cidade grande... Ahh , lá Maria se encontrou... tantas palavras, tantas histórias...ritmos e olhares diferentes...
Maria se esbaldou... José...
Ahh...esse trabalhou.
Na cidade grande ela se multiplicou e multiplicou...amores...dinheiro...sexo...conhecimento e palavras muitas palavras...
Maria José então voltava , lá pra aquela cidade e falava... e contava histórias e o mundo parava...
Mas, Maria José não tem fim...
E a cidade grande ficou pequena...insuportavelmente apertada.
Maria José então foi embora...atrás de novas palavras com outros significados e rítmos e se mudou de país...
Ahh Maria José... mais histórias...
Mas como ela vai parar o nosso mundo aqui? Ela está tão longe?
Nesse caso eu me ofereci...
Me conte Maria José...me conte...ensina-me...
Que eu tentarei parar o mundo aqui...
Ela começou assim...

"Nesta manha de 23 de julho de 2008, separada fisicamente pela distância, alem do mar, sozinha no meu quarto, longe do que sonhei..."

Continua no próximo post...

Vermelha.

terça-feira, 22 de julho de 2008

Onde ela está ??

Ela era linda ...
Diferente de mim, de nós, porque tinha a outra também: "a mística, a zen, a colorida", eu sempre fui "eu", a vermelha...ela era "cor de rosa"...uma linda menina cor de rosa...
Ela tinha pai e mãe, tinha o mar...o samba, tudo dentro dela sabe...tinha uma sensualidade...que se confundia com uma certa vulgaridade ( isso no olhar dos outros). Porque pra mim e pra outra, ela era mesmo engraçada... ahh como era...
Ela tinha sonhos de amor... sonhava com homens perfeitos e casamentos infinitos( ela era engraçada mesmo). Eu e a outra não...a nossa história sempre foi mais triste...mais real, menos rosa. A gente já não tinha pai por perto... e dos homens a gente sabia que só amar não era suficiente...
Ela acreditava só no amor e por isso ela só vivia esse lado da vida...
No começo a vermelha e a rosa não combinavam muito...essas cores não combinam...mas quem é o vermelho real...perto do sonho cor de rosa? É claro que a vermelha se rendeu. A colorida, ahh ... ela já era rosa também, sempre foi vermelha, azul, verde, amarela...então pra ela foi só reconhecimento...
Vermelha e rosa começaram a trocar e dançar na vida, a colorida sempre se vendo nas duas, quando não estava de outra cor...
E nessa mistura de cores e vidas...a rosa e a vermelha formaram um lindo par...dançando, nadando, tomando sol, chorando, sonhando... e o que elas fizeram de melhor foi sorrir...uma da outra, uma pra outra, eram lágrimas e gargalhadas vermelhas e rosas...
A vermelha começava a desbotar, o rosa ia lá e injetava a sua cor, os seus sonhos.E quando o rosa ficava claro, embranquecia, a vermelha salpicava sua cor viva e sangrenta e ela se alegrava, ficava forte e só fazia o bem...A colorida, estava colorindo a vida de outro...outros...mas sempre ali colorindo....
A cor de rosa, no pensamento da vermelha tinha nascido pra isso...Fazer o bem, ela era a cor mais bondosa que a vermelha tinha conhecido...era a cor do sonho e como enchia de sonhos a vida das pessoas...fez do seu sonho realidade... está pintando o mundo com uma linda criança...
Hoje eu não sei onde está a cor de rosa...a vermelha está desbotada... a colorida deixou suas cores com outras pessoas e tá sendo difícil recuperar, ela foi dando uma cor pra cada um e se esqueceu do seu colorido...quando ela viu tinha ficado só com as cores sóbrias...
Acho que a cor de rosa se foi...ela esqueceu de recarregar na vermelha...acho na verdade que não quis mais...quis mudar de cor...
Era tudo tão bonito...vermelho, rosa e colorido...
Agora está tudo indefinido...


Fernanda Matos.

Só tenho uma certeza!

É vermelho!
Sempre foi vermelho
Eu sou vermelha
Viva
Sangue
Carne
Palavras
Música
Pimentas
Atuação na vida...
Não sei o que é ser cor de rosa
Ou azul
Verde até me deixa feliz
Preto sim e branco também para dormir e sonhar
Amarelo só do sol...
Porque quando me olho...
Sou vermelha
Por dentro
Por fora
Pra mim
Pros outros...
Sou vermelha!

Vermelha.

Que isso...

Não consigo me dicidir...
Como dar um título aquilo que está em formação??
Talvez seja por isso que dar nomes ao que sentimos e vivemos seja tão difícil e tão errado.
Será que era amor mesmo??
Será que é amizade?
Será que é só sexo??
Será que é o fim da relação??
Será que o meu processo é de dar títulos...
A mim mesma...
Vou fazer uma pesquisa quem sabe...
Que títulos vocês me dão??
Como me chamariam...
Doida?Brava?? Fernanda??Instável?
Como eu me chamaria?
Com o que me identifico?
Somos também o olhar do outro...
Por isso a dúvida...
Que isso ???
Ainda não sei...


Fernanda Matos.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Não tenho como fugir...


Já tentei ignorar...

Abstrair...

Dormir...

Comer...

Mas...

Como um ato involuntário, sempre me pego pensando naquilo que foi escrito...

Naquilo que vai ser escrito...

No que vai ser lido...

E nas interpretações...reações...sensações...

Sempre que é espontâneo se torna bonito pra mim...

Mas quando é uma cobrança, fica chato, talvez como essas palavras...

As primeiras de uma exposição voluntária daquilo que está dentro de mim.

Ou muitas vezes daquilo que eu simplesmente quero mostrar...

Ou cutucar...

Instigar...

Envenenar...

Despertar...

Carinhar...

Meu compromisso aqui , é com a vida...

Com tudo que ela tem de bom e ruim,

De falso e verdadeiro.

Não pretendo ser uma novela e não me preocuparei com a coerência

E sim com aquilo que é sentido e escrito se assim tiver que ser

Escreverei da loucura e da sanidade de viver...

Prometo ser intensa, quando a vida me oferecer essa alternativa

Prometo também ser vulgar, cínica quando de repente me surpreender com aquilo que abomino

Porque vivo...

Serei correta

Louca

Mulher

Homem

Alegre

E imensamente triste

Serei música ...sempre

Serei palavras...

Porque não tenho como fugir...

Não mais...
Fernanda Matos