Um dia, ela foi pra lá...
Não me lembro o que ela pensava,
Nem como teve tanta coragem de deixar tudo
Talvez porque já sabia
Que nada tinha...
Ou sabia,
Que o que tinha, dava pra levar...
Ela tinha
Alguns amigos...
Alguma família...
Coração vazio...
Alguma esperança
Podia ir...andar
Não tinha carros baratos na garagem
Nem dinheiro...
Nem sonhos, mais naquele lugar
Sonhava só em...
Mudar
Foi pra floresta...
Lá, voltou a sonhar ...
Ela não entendia o lugar
O lugar não entendia ela lá...
A história era que ela era assim...
Se dizia "uma cigana"
Pra não falar que era vermelha
E sensações ainda mais estranhas provocar
Andante...
Não tinha mala para carregar...
Estava...lá
Leve
Longe
Carregava uma dor inexplicável
Uma perda
Que nem podia falar
Queria se achar...
Na floresta...
Ela contou pros outros aqui, como era o lugar
Falou do tom de verde
Da cor dos pássaros
Do encanto da noite
E do calor dos dias
Omitiu o frio interior...
As mudanças no humor
E o desespero de tentar e tentar
Sem parar...
Omitiu o medo de desistir
E a certeza que tinha que ir...
Nunca conseguiu explicar porque foi pra lá...
Nunca explicará...
Um dia ela voltou...
Não me lembro o que ela pensou
Não sei como ela teve tanta coragem de voltar
E deixar tudo lá...
Talvez porque já sabia
Que não tinha nada
Ou sabia
Que o que tinha dava pra levar
Ela tinha...
Verdadeiros amigos
Amores vividos
E a sensação
De na floresta ter vivido
Ela voltou pra cá...
Ehh...
Ela viveu por lá...
Agora vive por cá...
Grandes voltas que ela dá.
Fernanda Matos.
Nenhum comentário:
Postar um comentário