segunda-feira, 11 de agosto de 2008

A mala

Eu fiquei sabendo da sua existência...
Assim...
Porque tinha que saber...
Ela...é mãe daquela que ele ama...
Então...
No começo...foi assim
Fiquei sabendo dela
Com uma certeza interna ...que um dia ela viria
Se mostrar...
Fez mais que isso...
Cheguei em casa...
E encontrei uma mala...
Me falaram que a mala era dela...
E iria ficar lá
Porque ela não conseguia carregar... todo dia...
Ela passava em minha casa...Pegava a mala...
Depois guardava...
Eu entendi
Que era pesado o que carregava...
Era precioso...
Os dias se passavam...
Ela parou de vir...
Eu então, sedenta de novas palavras...
Abri a mala...
Pesada...que não era minha...era dela...
Descobri...
Ela carregava esperança...
Por isso era tão pesada...
Esperança de muitos anos de sono...
Esperança daquilo que deixou de ser vivido...
Esperança de viver o que ainda pode ser vivido...
Muito pesada a mala...muita esperança...Liguei pra ela...
Menti...
Era uma isca...
Então ela voltou a vir...
Abriu a mala...
Me contou do sono...durante anos...
Falou da grande vontade de acordar...
Falou com raça...
Da raça mulher...
Me deu um pouco de esperança...que estava na mala...
Passou a mão nos meus cabelos...
Prometeu voltar...
Eu...
Estou esperando...
A mala...
A esperança...
A mulher que acordou...
Na raça...
Passou a mão nos meus cabelos...
Com esperança de mudar...

Fernanda Matos

2 comentários:

Elga Arantes disse...

A mala deve ser mágica.
Às vezes está mais pesada de esperanças de alguma coisa; outras está muito mais leve de esperança de coisa nenhuma.
...ela nunca mexe no conteúdo da mala. Mas ela sempre fica mais e menos, dependendo para onde ela vai. O que deve cansá-la é isso. Não o peso da mala.

Anônimo disse...

misericordia ...
so nao vou chorar porque nao tenho lagrimas, mas choro por dentro de emoçao ...
mais um post arregaçante ...
eu adoro quando ela ajuda as pessoas .
saiu um pouco de suas raizes pra ajudar ...
que pena que eu nao podi mentir assim pra ajudar ...
eu ia sair muito das minhas raizes ...