quarta-feira, 7 de abril de 2010

Fronteira

Maria não fala mais
Não conta mais nada
Brigou
Disse que enlouqueceu
Pirou
Acreditou na sua genética ruim
Gritou
NÃO!
Some daqui...de mim
Maria se esqueceu
De tudo que viveu
Maria amaldiçoou o dia que nasceu

Maria não foi mais a mesma
Andou calada
Com medo da vida
Nas sombras
De madrugada
Passou um tempo abraçada
E se protegeu
No mar
Se disfarçou
Escondeu
A dor
Ouviu uma proposta
Alucinogéna
Se encheu de dúvida
E esqueceu...

Maria viajou
E na fronteira ela chegou
No limite do "eu"

Ela se percebeu
E contou histórias
Apareceu

Hoje Maria
Está
Um pouco Maria, a outra parte indefinida
Recém nascida

Maria...e suas voltas na vida

Sumida...

Tanto tempo que ela não aparece...
Sumiu!
Dela
De mim
Dele
E as histórias...
Ficaram pra trás
Abstratas
Só palavras...
Sem nada...
Ela sumiu
O amor não teve fim
Nem a dor
Ficou tudo misturado
Separado
Onde ela foi parar?
Podemos pensar:
Quem some assim, também para de sonhar?
Talvez se perdeu
E se foi isso que aconteceu...
Deve estar sonhando o sonho dos outros
E sonhar sonho do outro
É perigoso
Ela também pode nunca ter existido...
Falsa alternativa
A verdade então é que ela está
Introspectiva
Mentira...
Então onde ela está...
Pode estar na história que não quer contar
Ou nas amigas que não quer lembrar
Enfim...
Ela deve estar num caminho
Um caminho sumido
Difícil de encontrar
Sumiu... dos
Verdadeiros amigos... das
Histórias reais pra contar
Ela sumiu...ou nunca existiu...
Marque a verdadeira alternativa
Com a certeza de errar...

terça-feira, 30 de março de 2010

O nome dela ...

Desde de que a conheci
Fiquei encantada com o nome dela
Ela já tinha amigas
E eu estava ali sozinha
Ela já dava gargalhadas
Enquanto eu ainda estava nas risadas
Ela já tinha amores
Enquanto eu só tinha ilusões
Ela já tinha dores
Enquanto eu ainda só tinha medo
Estávamos ali
Por causa do destino
E por causa dessa condição
Nos aproximamos
E combinamos que:
Iríamos trocar estudo
Por gargalhadas
Medos por dores
Ilusões por amores...
Ela pediu em troca uma amiga
E eu achava que estudando iria entender a vida
Então vieram as dores
Que nem ela conhecia
Os amores...
Que os estudos não entendiam
E as ilusões foram sumindo com a vida
O destino...
E por causa dessa condição
Ela ficou sem amiga
E eu estudando...não aprendi nada da vida
Hoje
Nós duas
Com nossas dores
Amores
Ilusões
Combinamos que:
Eu, ainda estudo
Mas agora escuto no fundo
As gargalhadas
Dela
Que tem o nome:
Amiga.

Sangue...

Noite passada ela sonhou com sangue
Foi na noite que ela dormiu com ele
A cama é grande...mas
Ela dorme apertada
E gosta
É como dormir numa caixa
E lá dentro tem:
Ela e ele.
Mas nessa noite ela sonhou com sangue
No peito
A cor vermelha
Tão comum
Vermelho assustado
Saindo de dentro dela
As vezes como palavras
Outras vezes lágrimas
Sorrisos
Risadas
Sangue...
No peito

O que era comum...
Aquele vermelho
Virou medo
Ela acordou assustada
Dentro da caixa
Foi ferida no sonho
E se no sonho ela estava machucada...
Como seria na vida acordada?
Ela lutou no sonho
Mas nada adiantava
Não tinha controle sobre nada
O sangue estava lá... vermelho
Comum
Escorrendo
E ela dormindo na caixa
Acordou...
Um pouco pálida
Sozinha
Cansada
E acordada
Pensou:
Sonhei com sangue
Ferida no sonho
Acordada...
Lutarei pra não ser ferida na carne...
Mesmo sem controle
Sem nada
Sozinha
Ou acompanhada
Lutarei...na vida
Mesmo tendo os sonhos sangrados...
Saiu da caixa...

quarta-feira, 24 de março de 2010

Lá vem...

Começa assim:
A casa dormindo
A noite instalada
A televisão ligada...
Sequência de cigarros...

Pensamentos confusos
Mãos paradas
Histórias misturadas

Amor que saiu dos limites
As palavras!
Amigas infelizes
Esperanças indecifráveis

Corpo magoado
Destinos atravessados
Sentimentos calados
Hipocrisia aos gritos

Lugares indefinidos
Profissão difícil
Sucesso invisível
Exigências destrutivas

Textos medíocres
Falsas alternativas
Saudades...

Do amigo de verdade
Que tá longe
Da realidade

Falta
Das óbvias loucuras
Daquela mente
Que mente afirmando ter liberdade

Silêncio nos lábios
Choro cansado
Mãe desconhecida
Pai ausente
Irmão alienado

oscilante e presente
Coragem disfarçada
Necessidade escancarada
Força inconsciente

Caminho desejado
Passos alternados
Obstáculos...

Continuidade. Vida. Aprendizado...


...
Os cigarros estão acabando
O sono vem chegando
O telefone já tocou
A casa acordará

Lá vem...
Um dia confuso
As amigas infelizes
O amor sem limites
...
Realidade das alegrias difíceis...
Ainda alcançáveis.

Motivo

A algum tempo venho procurando um motivo pra voltar...

Mas o desafio é pra onde voltar

De onde parei...

E porque?

Parei realmente?

Ou não quis enxergar?

Será que o tempo foi cruel demais para ser escrito

Ou...

Eu fui cruel demais comigo?

Ou...

Covarde demais para registrar

Talvez...

Fraca demais para encarar.



A história continuou...

O tempo não parou

Eu voltei

Pra onde? Não sei.

Porque?

Saudade...

Pra quê?

Verdade...