sábado, 12 de setembro de 2009

Parada...

Quem dera eu parar de escrever...
Seria menos uma coisa...
Menos uma vontade...
menos um desejo...
Menos uma frustração...
Mas a verdade é que ainda estão em mim todas as palavras
Todas as coisas
Algumas vontades
Um desejo
E frustrações
Ainda está em mim...
A escrita
O amor
O desespero...
E a necessidade...
De parar...
Um dia ainda serei só palavras
E no lugar de ser amada...
Depois abandonada...
Serei lida...relida...
E então:
Esquecida...

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Cheiros...

Cheiro
De comida
Da melhor amiga
Da prima
...
Cheiro da Faculdade
Do livro
Da poesia
...
Cheiro...
De lágrimas
De morte
Cheiro da perda
...
Cheiro do amor
Da verdade
Da rua
Da casa
...
Cheiro da cama
Do sexo
Dos cabelos
Dos pés
...
Cheiro da mentira
Da dor
Da música
...
Cheiro do lixo
Do escondido
Do medo
...
Cheiro do perfume
Da ilusão
Da pele
Da paixão...
...
Cheiro de nada
Do sonho
E da realidade
...
Cheiro de tudo
Da coragem
Do trabalho
E da tentativa
...
Cheiro
Do Homem
Da mulher
A escolha de uma vida...

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Escrevendo em cima...

A gente começa a escrever alguma coisa...
E lê...
Relê...
Por alguns momentos achamos que aquilo é o certo
Que o texto está bom
Que corresponde a verdade
Aí vem o tempo...
O vento
E embaralha tudo
Mistura
O que antes fazia sentido
A palavra que explicava
Perde o significado
Se não é importante
Rasgamos
Guardamos
Escondemos
Vai pro lixo
De verdade
Ou o lixo do esquecimento
Mas se o que escrevemos
É marcante
Faz parte
O que fazemos?
Tem gente que não tem coragem
Tem gente que continua escrevendo o mesmo texto
Escreve em cima
Muda uma palavra
E esta muda um comportamento
E se tem sentimento
Reafirmamos a continuidade
Do texto da frase
Para que haja também comprometimento
Tem gente que vive assim
Escrevendo...vivendo
Escrevendo em cima da vida
A vida escrevendo em cima da gente...

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Assobio...

É madrugada...
E só sinto o silêncio em mim
Tentar contar uma história diferente
Talvez seja o mais difícil desafio que podemos ter...
As histórias são todas iguais...
Falamos demasiadamente demais
Gritamos o nosso amor
A nossa dor
A nossa luta
O nosso cansaço
E depois sentimos
O silêncio...
Da derrota
O final esperado
A espera daquilo que não chegará
A frase não ouvida
O perdão não concedido
O volta não completada
O regresso ao ponto inicial indesejado
Caminhamos para não chegar
Gritamos para não escutar
E assim só escutamos o silêncio que é sabido
Sentido
É madrugada e o que sinto é silêncio
Nenhum eco daquilo que foi vivido
Se pelo menos eu ouvisse um assobio
Identificaria
Ou se tivesse um passarinho
Talvez até sorriria
Mas
Em mim
Só o silêncio do final da história que eu temia
Porque todas as histórias acabam iguais...
Em silêncio.

domingo, 11 de janeiro de 2009

Ridícula...

Se eu não chorasse...
Não saberia o que é a dor
Teria a certeza que foi tudo mentira
Se eu não me indignasse
Não acordaria todos os dias
Se eu não sentisse
Não sofreria
Nem me arrepiaria
Com a saudade
Se eu não fosse ridícula
Não tentaria
Se eu não aprendesse
Não mudaria
Se não tentasse
Não sorriria
E se eu não parasse...
Eu cairia
Parei
Chorando
Indignada
Sentindo
O arrepio
Da saudade
O sofrimento de ter tentado
Sem conseguir.
Ridícula...

Por Fernanda Matos